Peladeiros do campo onde goleiro deu primeiros passos o vêm como espelho apesar das polêmicas: ‘Não muda nada. Têm que provar’
A história é repetitiva no Brasil: em uma comunidade carente, crianças se juntam diariamente em busca de diversão, correm atrás da bola, disputam peladas e sonham com o estrelato. Na favela de Santa Matilde, em Ribeirão das Neves, o conto de fadas se tornou realidade para um dos sonhadores: Bruno. E nem mesmo o caso do desaparecimento de Eliza Samúdio foi capaz de transformar o goleiro em vilão para os novos "filhos do Buracão".
O campo é modesto, de terra batida, cercado por morros, mas recebe diariamente, às 17h, dezenas de meninos em busca de futebol. Em busca de oportunidades para trocaram a realidade carente pelos sucesso em lugares onde há grama e, no lugar dos morros, torcida. O espelho pode até ter quebrado, a imagem está arranhada. Porém, para as crianças de Santa Matilde, Bruno continua sendo a referência.
As algemas e o uniforme laranja do presídio Nelson Hungria, em Minas Gerais, foram ignorados por jovens como Joabisson Carlos, de 14 anos.
- Na minha opinião, não muda nada. Estão falando e têm que provar. O Bruno ainda é um ídolo para todos nós. Vamos esperar para ver no que isso vai dar.
A dificuldade em aceitar a nova realidade de Bruno, acusado do desaparecimento da ex-amante, Eliza Samúdio, se dá pelo convívio com o ídolo. Para Joabisson, a imagem do Bruno simpático e acessível, capaz de até mesmo tentar fazer com que outros meninos sigam seu caminho, segue intocável.
- O Bruno sempre foi humilde com o pessoal aqui. Nunca ficou besta por ter ficado famoso. Todo ano aparecia, fazia o campeonato e ajudava o pessoal. Meu irmão mesmo foi fazer teste no Venda Nova levado por ele.
O Venda Nova, de Belo Horizonte, foi o primeiro time de Bruno. Os três jovens levados por ele para uma peneira, no entanto, não permaneceram no clube.
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