sábado, 10 de julho de 2010

Filho do ‘Buracão’, Bruno ainda é referência para jovens do local


Peladeiros do campo onde goleiro deu primeiros passos o vêm como espelho apesar das polêmicas: ‘Não muda nada. Têm que provar’

Por Cahê MotaDireto de Ribeirão das Neves, MG
A história é repetitiva no Brasil: em uma comunidade carente, crianças se juntam diariamente em busca de diversão, correm atrás da bola, disputam peladas e sonham com o estrelato. Na favela de Santa Matilde, em Ribeirão das Neves, o conto de fadas se tornou realidade para um dos sonhadores: Bruno. E nem mesmo o caso do desaparecimento de Eliza Samúdio foi capaz de transformar o goleiro em vilão para os novos "filhos do Buracão".
Criança solta pipa no BuracãoCriança solta pipa no Buracão, onde Bruno deu começou no futebol 
O campo é modesto, de terra batida, cercado por morros, mas recebe diariamente, às 17h, dezenas de meninos em busca de futebol. Em busca de oportunidades para trocaram a realidade carente pelos sucesso em lugares onde há grama e, no lugar dos morros, torcida. O espelho pode até ter quebrado, a imagem está arranhada. Porém, para as crianças de Santa Matilde, Bruno continua sendo a referência.
As algemas e o uniforme laranja do presídio Nelson Hungria, em Minas Gerais, foram ignorados por jovens como Joabisson Carlos, de 14 anos.
Vizinhos de Bruno jogam bola no BuracãoVizinhos de Bruno jogam bola no Buracão
- Na minha opinião, não muda nada. Estão falando e têm que provar. O Bruno ainda é um ídolo para todos nós. Vamos esperar para ver no que isso vai dar.
A dificuldade em aceitar a nova realidade de Bruno, acusado do desaparecimento da ex-amante, Eliza Samúdio, se dá pelo convívio com o ídolo. Para Joabisson, a imagem do Bruno simpático e acessível, capaz de até mesmo tentar fazer com que outros meninos sigam seu caminho, segue intocável.
- O Bruno sempre foi humilde com o pessoal aqui. Nunca ficou besta por ter ficado famoso. Todo ano aparecia, fazia o campeonato e ajudava o pessoal. Meu irmão mesmo foi fazer teste no Venda Nova levado por ele.
O Venda Nova, de Belo Horizonte, foi o primeiro time de Bruno. Os três jovens levados por ele para uma peneira, no entanto, não permaneceram no clube.

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